Nuno Trocado

Cotovelo

Cotovelo é o relato de dois casos de ciúmes e de discórdia: entre três homens, escravos trazidos do Brasil para Portugal, no séc. XIX; e entre um homem e uma mulher, criados no palácio real. O tema é do passado, mas a forma é do presente. Ou ao contrário. O relato é feito por uma actriz e quatro músicos, através de palavras e notas. Nuno Trocado convidou Jorge Louraço para escrever e a actriz Catarina Lacerda para actuar, e lidera um quarteto com Tom Ward (saxofone alto, flauta, clarinete baixo), Sérgio Tavares (contrabaixo) e Acácio Salero (bateria; João Martins nos concertos em Dezembro). O espectáculo, de cruzamento entre texto e música, foi o resultado de uma residência artística no âmbito da edição de 2017 do Festival Guimarães Jazz, em parceria com a Porta-Jazz.

O disco vai ser lançado no dia 11 de Setembro de 2018.

Laboratório

Borboletas e Canhões

Nuno Trocado (guitarra eléctrica)
Lígia Silva (flauta/sax tenor)
João Guimarães (sax alto)
Hugo Ciríaco (sax tenor/clarinete)
José Pedro Silva (violoncelo)
Diogo Dinis (contrabaixo)

«Procuro com este projecto lançar uma visão pessoal sobre a música, e simultaneamente suscitar a expressão individual dos bravos membros deste ensemble. Sem pretensão de estar a criar ex novo algum tipo de caminho estético, alegro-me ao verificar que o resultado se vai conformando à face de Jano: por um lado com abundantes referências a técnicas pretéritas, por outro lado com pequenas partículas diferentes do que é mais habitual vermos nas salas de concerto. O que tanto pode ser bom como mau, mas esforçar-nos-emos para que ao menos seja genuíno.

Ao prezado amador que, através deste texto, procura indícios sobre a valia da nossa proposta musical, em confronto com o dispêndio de tempo e pecúnia, aqui fica uma breve lista que porventura ajude à tomada de decisão.

Coisas que há em “Borboletas e Canhões”: cem anos de jazz, séculos de tradição europeia, música de câmara, arcaísmos, vanguardas, improvisação, rituais, ordem, cores, contrastes, timbres, colectivo, indivíduos.

Coisas que não há (apesar de gostarmos delas): bateria, cantores, canções, solos heróicos, decibéis, electrónica, fórmulas batidas, improvisação livre, bailarinas, lançadores de fogo.» NT

Pãodemónio

Pãodemónio ao vivo

Fábio Almeida (saxofones)
Ricardo Pinto (teclados)
Nuno Trocado (guitarra eléctrica)
Marcelo Aires (bateria)

Pãodemónio é uma banda de fusão absurda. Para mais informações é só consultar o site oficial.

Recensão do disco de estreia Pirraças Pueris, publicado na Jazz.pt:

O álbum de estreia do quarteto Pãodemónio começa pelo lado mais acessível do projecto: um tema radicado na fusão (jazz com funk com rock) que se inspira no “Karamazov” de Dostoievsky. Está bem, mas se o resto do alinhamento fosse igual não haveria nada de particular a dizer. Não é: o que vem logo a seguir, com “O Quarto Fechado”, coloca-nos de imediato noutro plano: se a fusão é a base de trabalho de Fábio Almeida, Nuno Trocado, Ricardo Pinto e Marcelo Aires nesta combinação de saxofones, guitarra, teclados, electrónica e bateria, a abordagem tem um pendor exploratório, com outros ingredientes como o metal e o drum ‘n’ bass à mistura e com espaço para uma improvisação que não teme desafiar as cifras. Neste aspecto, podiam ter feito mais, mas acredito que é em concerto, ao vivo, que eles chegam aí. Sabemos como o objecto disco tende a ser um colete de forças.

“Efeitos Secundários”, o terceiro tema, é reflexivo e ruminante. Pode haver muito “groove” por aqui, mas esta é uma música que pensa com o olhar dirigido para o infinito e não para o movimento dos pés. Coloca armadilhas no caminho e ultrapassa-as, complica as estruturas e depois resolve-as com a maior das naturalidades, sai de rumo e traz os desvios (as descobertas feitas) para o troço que vai seguindo. “Pirraças Pueris”, a peça-título, tem passagens de dimensão épica (e, sim, dostoievskiana), mas tudo o resto funciona como contra-argumento. O que acaba por acontecer é surpreendente: os sons ganham voo precisamente quando se contrariam as lógicas de efeito fácil. “Erro” tem tudo a ver com pressa, com rapidez, com a possibilidade de tropeçar nos passos. Não tropeça. Mas acaba por parar e ficamos a perguntar-nos o que é que aconteceu (uma corrente de ar?) durante os 45 minutos que leva a ouvir este CD. Rui Eduardo Paes